Não é assim tão fácil encontrar bandas femininas com qualidade... recentemente só me lembro de umas Au Revoir Simone, e mais longinquamente talvez de umas Luscious Jackson... mas a minha memória há algum tempo que não anda grande coisa e pode-me estar a falhar mais qualquer coisa... nevertheless, vou aproveitar uma das bandas de 2010...
Para o Sr. Mozzarella o ano de 2010 não correu como planeado simplesmente porque não havia um plano para seguir... O trabalho ocupou o tempo quase todo e apenas houve oportunidade para alguns bons concertos e pouco mais... Aqui fica o top 10 de 2010 em termos de concertos e de álbuns (que não foram muitos nem de muita qualidade).
Concertos 1º The XX (Aula Magna) 2º The National (SBSR) 2º Vinicio Capossela (Culturgest) 2º Vampire Weekend (SBRS) 2º Márcia (SBES) 2º Guta Naki (Nimas) 7º Mark Kozelek (Olga Cadaval) 7º Foge Foge Bandido (Olga Cadaval) 9º Cut Copy (SBSR) 10º Tiago Sousa (Maria Matos)
Álbuns 1º Arcade Fire - Suburbs 1º Márcia - Dá 1º Guta Naki - Guta Naki 4º Gem Club (EP) - Acid & Everything 5º Beach House - Teen Dream 6º Broken Social Scene - Forgiveness Rock Record 7º Warpaint - The Fool 8º LCD Soundsystem - This is Happening 9º Sufjan Stevens - The Age Of Adz 10º Gorillaz - Plastic Beach
O SBES deste ano teve um cartaz bem mais fraco que o das duas anteriores edições. Como consequência as pessoas juntaram-se todas nos maiores concertos... o que fez com que não pudesse ver, por exemplo, os Junip do José Gonzalez... bem, mas não foi só isso que me levou a perder os Junip, à frente explico... Outra coisa que nos aconteceu foi uma certa falta de timing em alguns dos concertos... chegámos apenas a tempo de bater as palmas de despedida... que me lembre, aconteceu isso com Zola Jesus e o Kele... o que me pareceu estranho foi o facto de os concertos estarem a acabar antes da hora marcada...
Vou apenas falar dos 3 concertos que mais gostei. Por ordem cronológica...
Mantendo a tradição, o festival para mim começou no S. Jorge 2... com os franceses The Shoes. É engraçado como algumas bandas francesas têm nomes anglo-saxónicos, cantam em Inglês mas os seus elementos não são capazes de falar na lingua de Shakespeare com o público... c'est la vie... Para lá deste pormenor, o concerto deles foi muito bom e cheio de energia... contaram com um duo nas percursões que se fartou de suar durante a actuação, tal era o ritmo... O baixo (que foi rodando entre o Guillaume e o Ben) com muita distorção também encheu muito bem o som. Muita gente dançou, enquanto outros, mais tímidos (como eu), apenas se abanaram... :)
Passei a ouvir com mais atenção a Márcia depois da participação do João Paulo Feliciano no programa "Fala com ela" da Inês Meneses na Radar. A canção "Vem" que o João escolheu para passar entrou directamente no ouvido e acabei por comprar o disco. Uma estação de Metro podia à partida não parecer o local mais adequado para fazer um concerto com uma banda mas acabei por verificar precisamente o oposto... A Márcia ao final da 2ª ou 3ª canção pediu às pessoas que estavam mais à frente para se sentarem no chão e desta forma permitirem que as que estavam mais atrás conseguissem ver. Nunca o chão do Metro me pareceu tão confortável... O João Paulo Feliciano estava na banda a tocar... O som da banda estava sublime, a sério... estava límpido e cheio... a voz bonita e quente da Márcia mais do que compensava a corrente de ar gelada que nos atravessava. Para mim foi bastante intimista... No final não resisti a pedir-lhe a setlist manuscrita e como recompensa ainda tive direito a um beijinho... muito muito fixe... Como ficámos até ao fim (num concerto como aquele a que estava a assistir era impossível sair a meio) acabámos por nos atrasar para o concerto dos Junip do José González... resultado: não deu para entrar no S. Jorge. Era literalmente impossível, a não ser que quisessemos esperar pelo fim para ir bater palmas... lolololololol O José fica para uma outra oportunidade, que há-de aparecer...
Last but not least, os Linda Martini... Acabei por ir ver os Linda Martini mais cedo porque o concerto da Janelle Monáe que estava a ver estava a ser um grande grande flop... Os Linda Martini tiveram a desvantagem de ter de tocar no pior palco do festival, o parque de estacionamento do Parque Eduardo VII, mas acabaram por ultrapassar o problema na boa... Muitos dB's de Rock n' Noise! Tocaram as canções do novo álbum, as quais a maioria dos fãs já sabia a letra. Para mim o momento alto foram os "100 Metros Sereia"... com o staff/crew dos Linda Martini a subir ao palco no final e a cantar em coro com o público a letra (que é apenas o refrão) da canção. Nice!
Só uma nota final para o Pedro Ramos (Radar) que depois de Linda Martini fez a sua sessão de Deejaying, com um começo de "Aneurysm" (Nirvana) seguido de "Kool Thing" (Sonic Youth) para manter a onda... olé!
Polly Jean... thumpin my life since '92... O bilhete já cá está... só ao fim de 18 anos é que a vou ver ao vivo pela primeira vez... what a crappy fan... but hey, that's me!
Jesy Fortino dá pelo nome artístico de Tiny Vipers. Para mim foi mais uma revelação que aconteceu através do Vidro Azul, para variar... Para além das canções, acho que também me apaixonei por aquilo que a Jesy é e representa... o seu caminho... a sua experiência de vida... fez-me recordar o Ramesh Srivastava (dos Voxtrot), talvez por aquilo que tem de fazer (para além da música) para ganhar a vida... Aqui está uma entrevista com ela, feita aquando do lançamento do seu álbum de estreia. O seu segundo álbum, Life On Earth tem estado a rodar por estes lados...
Deixo uma das canções de Life On Earth, hope you can enjoy it...
Como é que se percebe que uma banda é alternativa? R: Quando o guitarrista tem de afinar a guitarra com um alicate...
Bem, talvez isto só queria dizer que o guitarrista é forreta e que eu estou a tirar conclusões precipitadas... Tentando esclarecer um pouco a conversa nonsense, vou dizer que estou a falar dos Guta Naki e que os fui ver ao Musicbox. Gostei da música e das letras. O timbre de voz da Cátia até me faz lembrar a Margarida Pinto... mas não mais do que isso. Gostava de os ver tocar ao vivo com um baterista. Pode ser que tal aconteça no concerto de apresentação do álbum, no próximo dia 16 Dez no Nimas. Who knows?
Não, não vou falar do album de estreia dos Oasis... Mas sim do concerto que os Chromatics vão dar dia 2 de Dezembro no Lux. A decisão de assistir ao concerto ainda não está tomada... mas entretanto eles vão rodando por aqui...
Os Raveonettes já aqui apareceram com uma cover de "100%" dos Sonic Youth. Agora repetem a dose... mas com uma versão de "I Wanna Be Adored" dos Stone Roses, gravada para a compilação comemorativa dos 50 anos da Dr. Martens. Curioso, ou talvez não, que nesta compilação apareçam também os Buraka Som Sistema... Os Raveonettes simplificam os originais e fazem bem... porque no final resulta muito bem... já para não dizer que prefiro a beleza da Sharin Foo à do Ian Brown... o que não é nada difícil... :D
A música é como a água do mar, de um rio ou de um lago, num dia de sol, reflete completamente as nossas emoções e sentimentos... é isso que sinto quando neste momento ouço o Vidro Azul do Ricardo Mariano. As explosões são por nossa conta...
O Olga Cadaval estava muito bem composto, com os vários eventos a ocorrer nessa noite (presumo que o mesmo tenha acontecido nas outras noites do festival), mas isto levou a que fosse quase impossível arranjar lugar de estacionamento... o que resultou que chegasse uns minutos atrasado à primeira parte do concerto, a cargo dos Foge Foge Bandido...
Foge Foge Bandido é composto em palco por cinco pessoas, incluindo o Manel Cruz. Os Ornatos fizeram um dos melhores discos da música moderna portuguesa mas este último projecto do Manel transmite uma liberdade musical e criativa completamente diferente... que se percebe muito melhor ao vivo. No fundo, Foge Foge Bandido é uma evolução natural de alguém que quer criar algo novo... maior... gostei bastante!
Deixo aqui um dos momentos captados por alguém... P.S. - O meu telemóvel novo é muito "feature rich" mas nem para tirar fotos serve... bah...
O Mark Kozelek acabou por vir numa das "versões" que eu tinha pensado: a solo e com uma guitarra clássica...
No fundo veio tocar as canções do último álbum "Admiral Fell Promises" de Sun Kil Moon. No início ainda duvidei se não ia ser um recital assim a modos que aborrecido... mas ele acabou por me surpreender com a sua destreza na guitarra clássica... a voz já eu conheço há muito tempo... Conhecendo o Olga Cadaval penso que o concerto do Mark ficaria a ganhar se fosse no auditório Acácio Barreiros em vez do Jorge Sampaio (sala principal)... a acústica do Acácio Barreiros é qualquer coisa... o concerto de Elysian Fields que lá assisti no ano passodo vai ficar na minha memória, portanto... O Mark também revelou o "mau feitio" que um grande amigo melómano me tinha referido, implicando com tudo e mais alguma coisa... e no fim acabou por não haver encore... mas não foi por isso que não deixei de gostar do concerto dele. Foi bom.
A única canção conhecida que tocou foi "Carry Me Ohio"... que aqui fica...
No Manel vi expansão, no Mark vi introversão... duas formas de expressão músical bastante diferentes no mesmo concerto...
Por vezes saimos porta fora, de peito aberto, à caça de algumas destas coisas... mas no fim são elas que nos caçam a nós... como as fogueiras da inquisição pertencem ao passado e os Ghost Busters são personagens cinematográficas, temos de resolver a coisa de outra forma...
O primeiro álbum "Fields" dos Junip, do José González, já anda aí a rodar em todas as direcções... Começo a encontrar os melhores álbuns de 2010... também estou à espera do novo do Ed Harcourt...